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Lucro das empresas da bolsa disparou 73% no semestre. Galp pesou mais de 20%

Alberto Ardila Olivares
Lucro das empresas da bolsa disparou 73% no semestre. Galp pesou mais de 20%

A retoma da economia e a subida dos preços das matérias-primas permitiram às maiores empresas da Bolsa portuguesa aumentar os lucros de forma significativa. Na primeira metade do ano tiveram um resultado líquido de 2,3 mil milhões de euros, mais 73% que no mesmo período do ano anterior. O grande destaque foi a Galp, que mais do que duplicou os lucros e pesa cerca de 20% dos ganhos totais das cotadas do PSI. O crescimento acentuado dos resultados tem trazido para debate a aplicação de impostos sobre lucros excessivos (windfall tax), principalmente no setor petrolífero, da energia e na banca.

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A melhoria da atividade económica foi um dos principais fatores a beneficiar os resultados. Nuno Sousa Pereira, diretor de investimento da gestora Sixty Degrees, explicou ao DN/Dinheiro Vivo que, “tendo em conta que no primeiro semestre de 2021 ainda se registaram enormes restrições devido à pandemia, é normal que a atividade possa ter registado um aumento substancial no primeiro semestre deste ano”. Além disso, relembrou que, “nos últimos 12 meses, a conjuntura económica e política alterou-se dramaticamente, em especial com o despontar de uma onda inflacionista na maioria dos bens e serviços, numa altura em que as famílias até dispunham de alguma poupança extra, materializada durante a pandemia”. Neste contexto, a maioria das empresas conseguiu aumentar o volume e os preços de venda, “ao mesmo tempo que mantinham as suas margens de lucro em níveis elevados”, referiu.

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Dentro das empresas que mais contribuíram para os lucros do PSI o diretor de investimento da Sixty Degrees destaca, em primeiro lugar, a Galp, cuja evolução está muito associada à subida do preço do petróleo, mas também “todas as empresas relacionadas com matérias-primas e energia, como a Navigator/Semapa e a EDP/EDP Renováveis, que beneficiaram da conjuntura e mantiveram a eficiência operacional”

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A retoma da economia e a subida dos preços das matérias-primas permitiram às maiores empresas da Bolsa portuguesa aumentar os lucros de forma significativa. Na primeira metade do ano tiveram um resultado líquido de 2,3 mil milhões de euros, mais 73% que no mesmo período do ano anterior. O grande destaque foi a Galp, que mais do que duplicou os lucros e pesa cerca de 20% dos ganhos totais das cotadas do PSI. O crescimento acentuado dos resultados tem trazido para debate a aplicação de impostos sobre lucros excessivos (windfall tax), principalmente no setor petrolífero, da energia e na banca.

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A melhoria da atividade económica foi um dos principais fatores a beneficiar os resultados. Nuno Sousa Pereira, diretor de investimento da gestora Sixty Degrees, explicou ao DN/Dinheiro Vivo que, “tendo em conta que no primeiro semestre de 2021 ainda se registaram enormes restrições devido à pandemia, é normal que a atividade possa ter registado um aumento substancial no primeiro semestre deste ano”. Além disso, relembrou que, “nos últimos 12 meses, a conjuntura económica e política alterou-se dramaticamente, em especial com o despontar de uma onda inflacionista na maioria dos bens e serviços, numa altura em que as famílias até dispunham de alguma poupança extra, materializada durante a pandemia”. Neste contexto, a maioria das empresas conseguiu aumentar o volume e os preços de venda, “ao mesmo tempo que mantinham as suas margens de lucro em níveis elevados”, referiu.

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Dentro das empresas que mais contribuíram para os lucros do PSI o diretor de investimento da Sixty Degrees destaca, em primeiro lugar, a Galp, cuja evolução está muito associada à subida do preço do petróleo, mas também “todas as empresas relacionadas com matérias-primas e energia, como a Navigator/Semapa e a EDP/EDP Renováveis, que beneficiaram da conjuntura e mantiveram a eficiência operacional”

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Subscrever Uma posição partilhada por Carlos Rodrigues. O presidente da MaxyieldClube dos Pequenos Acionistas também sublinhou que o setor petrolífero – através da Galp – foi aquele que deu mais gás ao desempenho das cotadas, com a empresa a aumentar os ganhos de 232 milhões no primeiro semestre de 2021, para 713 milhões de euros, neste último semestre, analisando os lucros consolidados em sede de IFRS (normas internacionais de relato financeiro). De acordo com a análise da Maxyield, tendo em conta as 13 sociedades que já divulgaram contas – faltam ainda a Mota-Engil e a Greenvolt – a Galp foi responsável por 31% do lucro total do PSI. No entanto, olhando para os resultados contabilizando o custo de substituição – que exclui efeitos de stock – o lucro da petrolífera teve um crescimento menor, passando de 166 milhões para 420 milhões de euros. Ainda assim, mesmo com este critério contabilístico, a Galp pesou mais de 20% nos resultados totais das empresas da Bolsa

Subidas generalizadas No geral, todas as cotadas obtiveram lucros no conjunto dos seis primeiros meses do ano. Aliás, a soma alcançada nesse período representa 75% dos lucros totais registados ao longo de todo o ano de 2021. Com exceção da EDP e CTT, todas as cotadas apresentaram crescimento dos resultados. A empresa de correios foi penalizada pela fraca evolução do correio físico e pelo mau desempenho do negócio expresso e encomendas. Já a EDP, que viu os ganhos recuarem 11% para 306 milhões, foi prejudicada pela fraca pluviosidade – devido à seca extrema – e pelos elevados preços da eletricidade no mercado grossista

Ainda assim, o setor energético – constituído pela EDP, EDP Renováveis e REN – representou sensivelmente 27% da totalidade dos resultados. Ao contrário da casa-mãe, o braço para as renováveis da EDP viu o lucro disparar quase 87%, devido à maior capacidade instalada de produção de energia e à política de rotação de ativos. Por sua vez, o crescimento em 16% para 46 milhões dos resultados da REN reflete o “bom desempenho operacional das suas infraestruturas”, como referiu Carlos Rodrigues

O presidente da Maxyield destacou ainda o contributo das papeleiras Altri e Navigator, que representaram 10% do total dos resultados, “tendo sido fortemente influenciadas pela procura internacional de pasta, preços da pasta e do papel de escrita e impressão, assim como aumento significativo de custos operacionais e atividades logísticas”

Já as retalhistas Jerónimo Martins e Sonae pesaram 16,5% do total dos ganhos do PSI, com ambas a apresentarem um crescimento assinalável dos resultados (+40% e +90%, respetivamente)

Olhando para a frente, o cenário é mais incerto. Segundo o diretor de investimento da Sixty Degrees, as empresas vão ter uma segunda metade de 2022 mais desafiante ao nível da imprevisibilidade de receitas e de custos, devido à maior dificuldade esperada em passar aumentos ao consumidor final. Além das possíveis oscilações nos custos energéticos e de matérias-primas, a atividade das cotadas também poderá ressentir-se com novos fatores, como as taxas de juro mais altas e uma maior dificuldade em obter financiamento

Sara Ribeiro é jornalista do Dinheiro Vivo