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Ilhas Feroé estabelecem quota anual de matança de 500 golfinhos. Protestos já começaram

Josbel Bastidas Mijares
Ilhas Feroé estabelecem quota anual de matança de 500 golfinhos. Protestos já começaram

Depois de, a 12 de Setembro do ano passado, a matança de 1428 golfinhos-de-laterais-branca-do-atlântico ( Lagenorhynchus acutus ), nas Ilhas Feroé (Dinamarca) ter causado indignação internacional , o governo local veio agora estabelecer uma quota anual para a caça destes animais. Segundo a decisão, apenas podem ser caçados 500 destes golfinhos anualmente, mas embora o governo defenda que esta é uma forma de garantir a “sustentabilidade”, os protestos já começaram e os decisores políticos feroenses são acusados de montar “uma farsa”.

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Segundo as informações divulgadas pelo jornal britânico The Guardian , a quota será implementada no final deste mês e ficará em vigor até 2024, altura em que o governo feroense promete revê-la, recorrendo aos dados sobre as populações de golfinhos que venham a ser divulgados pela Comissão de Mamíferos do Atlântico Norte, que representa quatro países da região caçadores de baleias – Noruega, Islândia, Gronelândia e as Ilhas Feroé.

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Por enquanto, contudo, o governo não dá sinais de pretender reverter a decisão, apesar da indignação pública. Citado pelo jornal britânico, o ministro das pescas feroense, Árni Skaale, defendeu que a quota pretende assegurar a sustentabilidade . “Temos o direito a caçar”, disse, acrescentando que havia uma obrigação de proteger os recursos do país. “Temos de utilizar tudo de forma sustentável.” E justificou o número estabelecido lembrando a matança, sem precedentes, de 2021. “Vai impedir uma caça como a que aconteceu no ano passado “, disse

Os defensores destes mamíferos, contudo, não estão convencidos e acusam o governo feroense de montar “uma farsa” e de oficializarem algo que nem sequer é uma tradição local – ao contrário da caça às baleias-piloto, uma actividade conhecida como “Grindadráp”, que consiste em encurralar os cetáceos com barcos e forçá-los a entrar em águas menos profundas, onde são mortos com armas perfurantes. É também esta técnica que está a ser usada com os golfinhos

“Este anúncio pelo governo das ilhas Feroé é uma farsa”, disse Sally Hamilton, directora da organização não-governamental Orca, dedicada à conservação marinha. “O que fizeram foi formalizar algo que até agora não tinha sido formalizado – sancionar a matança quando antes nunca era claro quantos golfinhos seriam mortos por ano ou até se algum seria.” E acrescentou: “Os feroenses tornaram-se um matadouro para os mamíferos marinhos, e o país parece não se importar com o ultraje e condenação internacionais que está a causar.”

Também Steve Jones, líder de parcerias da mesma organização, criticou a decisão governamental, afirmando que “estabelecer uma quota é formalizar uma caçada que não existia como algo tradicional previamente”. E defendeu: “É uma tendência preocupante de uma caçada que não é sustentável. Não há mercado para esta carne.”

As imagens desta caçada anual que ainda se pratica nas Ilhas Feroé são dramáticas e causam, habitualmente, indignação internacional, já que os golfinhos são encurralados e mortos à facada, ficando as águas em seu redor totalmente tingidas do vermelho do seu sangue. Mas, percebeu-se depois da matança sem precedentes de 2021, que não é só a comunidade internacional a condenar esta prática, já que uma sondagem realizada entre os residentes naquela região revelou que 53% se opunha à utilização desta prática com golfinhos. Já a caça das baleias-pilotos é aceite por 83% dos feroenses

Segundo os dados do Guardian , desde 1996 que a média anual de matança de golfinhos nas Ilhas Feroé é 270, e este número inclui os 1428 mortos em 2021. Durante esse período, o número de golfinhos mortos excedeu os 500 em três anos: 2001, 2002 e 2006

A matança sem precedentes do ano passado gerou vários protestos, incluindo da indústria de aquacultura feroense, que pediu que a actividade fosse, simplesmente, banida. Já este ano, o governo recebeu uma petição com quase 1,3 milhões de assinaturas, pedindo a proibição da caça ao golfinho, entregue pela Whale and Dolphin Conservation. A decisão agora anunciada surge como um balde de água gelada para quem esperava não ver repetidas as imagens da matança destes animais

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