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O impacto do Coronavírus no sector energético

De facto, a china está a considerar abrandar as regras de contaminação automóvel, pelo que, a Bloomberg News, descreveu uma possível retirada do Acordo de Paris, e a consultora The Eurasia Group, mencionou que “o coronavírus desviará a atenção global e os recursos para combater as alterações climáticas.”

O coronavírus estendeu-se por todo mundo provocando uma forte paragem económica com consequências um pouco incertas. No entanto, também está a fazer mudar a forma como se consome energia, e por isso, terá uma repercussão numa indústria mundial em constante tranformação.

Já se começam a sentir vários efeitos desta pandemia em vários setores, principalmente no modelo tradicional do sector energético, segundo a consultora Axio:

  • Menos emissões de CO2 devido ao Coronavírus

É provável que as emissões mundiais de dióxido de carbono diminuam  este ano, devido à recessão da economia mundial. Na verdade não é uma notícia muito positiva, pois é consequência de uma tragédia, e ainda que se aproxime dos objetivos climáticos, quando se acabe com a pandemia, não durára.

De facto, desde a Revolução Industrial, as emissões mundiais não diminuiram, exceto, nos momentos em que existiram crises económicas. Estes incidentes simplesmente mostram o dificil que é reduzir as emissões de uma maneira económicamente sustentável.

  • A indústria petrolifera entra em colapso por culpa do Covid-19

A indústria mundial de petróleo e gás já estava a lutar para não se afundar sob a pressão das políticas climáticas em todo o mundo. Apenas precisava do coronavírus para colapsar. Os preços das matérias-primas estão fora de controlo, fazendo com que sejam os mais baixos das últimas décadas.

Existem três fatores que convergem para chegar a esta situação: uma rede de abastecimento abundante, a diminuição da procura causada pelo coronavírus que fechou as principais economias, criando uma guerra de oferta e preços entre a Rússia e a Arábia Saudita, que são em grande parte a resposta para os dois primeiros. Tudo isto faz com que os preços cada vez baixem mais.

É provável que muitas empresas pequenas do setor do Oil&Gas tenham grandes quebras, enquanto que os maiores produtores podem apreciar mais resultados devido aos seus investimentos nas energias renováveis.

Segundo a consultora Wood Mackenzie, os retornos económicos do petróleo têm sido melhores que o das energias renováveis, mas com o coronavírus têm tido reduzidos a uma minima expressão para projetos de petróleo e gás.

  • Problemas de abastecimento para nas energias renováveis

Nem tudo são más notícias são para o setor dos combustíveis fósseis. As energias renováveis também terão problemas. As empresas de energia eólica e solar alertam que as cadeias de abastecimento e a incerteza fiscal estão em risco devido ao encerramento de fronteiras em todo o mundo e à desaceleração económica relacionada.

No entanto, existe uma possibilidade incipiente e é a aposta, de acordo com as possibilidades de cada país, que passa por incentivar uma indústria nacional nova e lucrativa que possa oferecer toda a cadeia de valor para a transformação de um modelo menos descarbonizado.

  • Mudança nos padrões de energia

 

Em tempos de coronavírus, as empresas estão a apostar no teletrabalho, o que poderia influenciar os hábitos tradicionais de ir ao escritório e que às vezes produz o fenómeno do "presenteísmo do trabalho".

 

Segundo a Randstad, num estudo em Espanha, o teletrabalho é uma prática que ainda não é amplamente aceite pelas empresas, mas 68,6% dos funcionários desejam. No entanto empresas não permitem.

 

É possível poupar energia com o teletrabalho, além da redução de custos, para o trabalhador que tem de se deslocar, mas também para a empresa com a poupança nos custos da infraestrutura, de acordo com a consultora Innowatts.

 

De acordo com os dados da UE, com o coronavírus, o uso residencial de eletricidade diário na União Europeia aumentará entre 6 a 8%, e a procura de edificios educativos e comerciais diminuirá entre 30% a 25%, respetivamente, o que será compensando pelo aumento do consumo de energia nos lares. Esse novo paradigma ajudaria a incentivar e a promover mais as instalações de autoconsumo, um setor com grandes potencialidades, e mais ainda com os efeitos da pandemia.

  • As propostas dos ecologistas face ao coronavírus

 

O teletrabalho também influencia o setor de transportes. Embora se façam reuniões de forma remota, webinars e outros eventos que já ocorrem, com a maioria da população mundial confinada nas suas casas, essa opção pode ser cada vez mais aceite.

 

À medida que as empresas mantêm estes hábitos, e até que todos possam trabalhar e viajar novamente, como é habitual, estas mudanças podem ter um impacto mais duradouro no uso de energia, principalmente no transporte, e mais ainda no transporte aéreo, um dos maiores afetados desta crise.

 

  • Alterações climáticas em segundo plano?

À medida que o mundo entra numa recessão, alguns dizem que será pior do que a Grande Depressão, é provável que os problemas das mudanças climáticas deixem de ter tanta importância.

 

De facto, a china está a considerar abrandar as regras de contaminação automóvel, pelo que, a Bloomberg News, descreveu uma possível retirada do Acordo de Paris, e a consultora The Eurasia Group, mencionou que “o coronavírus desviará a atenção global e os recursos para combater as alterações climáticas.”

 

No entanto, isto pode ser contrariado. A Agência Internacional da Energia, converteu-se numa das vozes com maior destaque, pedindo aos governos de todo o mundo, que incorporem planos de energia limpa em qualquer plano de estímulo económico com o coronavírus.

 

A indústria das energias renováveis precisa de um pacote de incentivos dos governos de todo o mundo e seria um bom motivo para defender a economia de um país.

 

Segundo a Wood Mackenzie, o mundo já se estava a tornar nacionalista mesmo antes da chegada do coronavírus, e agora que os países estão literalmente a fechar as suas fronteiras  e a enfrentarem os seus problemas internos causados pela pandemia, é hora de apostar numa energia local.

 

De facto, este vírus terá um forte impacto especialmente nos países produtores de petróleo.