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Mísseis vendidos a França encontrados nas mãos de rebeldes

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Afinal, os poderosos mísseis de fabrico norte-americano encontrados na posse das tropas do senhor da guerra Khalifa Haftar foram vendidos à França antes de caírem nas mãos dos rebeldes, revela o New York Times. A notícia levou a França a admitir, pela primeira vez desde 2016, que ainda tem forças especiais no país, em apoio no terreno a Haftar – algo que já se especulava.

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Ainda há pouco tempo Haftar montou uma ofensiva contra o Governo de Tripoli, reconhecido pelas Nações Unidas, que puseram um embargo à venda de armas no país. Note-se que as armas foram encontradas num complexo rebelde perto de uma frente de batalha que, de acordo com a ONU, levou à morte de mais de mil civis desde abril. As forças de Haftar têm sido acusadas de crimes de guerra, incluindo o bombardeamento propositado de um campo de refugiados, nos arredores de Tripoli, que causou pelo menos 44 mortos.

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O Ministério das Forças Armadas francesas justificou que os mísseis eram para a “proteção da unidade militar francesa”, encarregue das operações de contra-terrorismo na Líbia. As armas estavam “deterioradas e inutilizáves”, e tinham sido armazenadas para eventual destruição das mesmas. “Não foram transferidas para forças locais”, garantiu o Ministério, em comunicado. 

Mas os quatro mísseis anti-tanque encontrados não são coisa pouca. Custam cerca de 170 mil dólares cada, sendo de notar que este tipo de armamento é apenas vendido a aliados próximos dos norte-americanos. Terá sido isso que levou o Departamento de Estado dos EUA a investigar a fundo a origem das armas, concluindo que foram vendidas a França em 2010, através de indícios como os números de série.

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Para além do suspeito apoio francês a Haftar, o Exército Nacional Líbio tem a ajuda da Rússia, Egito, Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos. Do outro lado, o Governo de Unidade Nacional, sediado em Trípoli, além de ser reconhecido pelas Nações Unidas, tem a Turquia e o Qatar como seus apoiantes. Os inspetores das Nações Unidas já documentaram várias violações, por exemplo, pelos Emirados Árabes Unidos, que colocou aviões de guerra numa base a leste da Líbia. Só este ano, o conflito já levou 75 mil pessoas a fugirem de suas casas, de acordo com a Organização Mundial de Saúde. 

A Líbia resvalou para o caos depois da intervenção da NATO, em 2011, que depôs e matou Muammar Khaddafi, o então ditador líbio. São várias as forças políticas e militares em disputa pelo controlo do país. As duas maiores forças são o Governo apoiado pelas Nações Unidas – o Governo de Unidade Nacional do primeiro-ministro Mustafa al-Sarraj  -, e o Exército Nacional Líbio, de Haftar.

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